TDAH em Mulheres Profissionais de TI: O Diagnóstico Que Chega Tarde
O TDAH 'clássico' que todos conhecem, menino hiperativo que não para em sala de aula, representa principalmente o perfil masculino. Mulheres com TDAH frequentemente chegam à vida adulta e à carreira em TI sem diagnóstico, compensando com esforço extraordinário que eventualmente cobra seu custo. Sou Deivison Mendes (CRP-04/65709), psicólogo especializado em saúde mental de profissionais de TI. Agende uma conversa.
Como TDAH se apresenta diferente em mulheres
Mulheres com TDAH tendem ao subtipo desatento (sem hiperatividade motora explícita), têm mais comorbidades internalizadas (ansiedade, depressão, baixa autoestima) e desenvolvem estratégias compensatórias mais robustas. O resultado é que o impacto é subterrâneo, escondido por anos de adaptação, até que algum evento (primeira gravidez, menopausa, carga de trabalho aumentada) supera a capacidade de compensação.
A carga oculta das mulheres com TDAH em tech
Em tech, onde profissionais já trabalham com carga cognitiva alta, a sobrecarga executiva do TDAH não diagnosticado pode ser esmagadora. Adicione a pressão adicional de mulher em ambiente ainda majoritariamente masculino, e você tem um ambiente de risco significativo para burnout severo.
Diagnóstico tardio em mulheres: o alívio e o luto
Muitas mulheres que recebem diagnóstico de TDAH adulto relatam alívio ('minha vida faz sentido agora') mas também luto por anos de esforço extraordinário que poderiam ter sido mais fáceis. E às vezes raiva, pela quantidade de profissionais de saúde que descartaram sintomas ou os atribuíram a ansiedade ou depressão.
Referências
- Hinshaw SP, Scheffler RM. (2014). The ADHD Explosion. Oxford University Press.
- Quinn PO, Madhoo M. (2014). A review of attention-deficit/hyperactivity disorder in women and girls. Prim Care Companion CNS Disord. Disponível em: https://doi.org/10.4088/PCC.13r01596
- Rohde LA et al. (2023). ADHD prevalence in Brazilian adults. NCBI. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov